Silval Barbosa, preso acusado de fraudes diz em carta que irá confessar crimes

Silval Barbosa, preso acusado de fraudes diz em carta que irá confessar crimes

Por Pollyana Araújo, G1 MT   Em uma carta divulgada no sábado (22), o ex-governador Silval Barbosa (PMDB) afirma que irá confessar os crime

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Por Pollyana Araújo, G1 MT

 

Em uma carta divulgada no sábado (22), o ex-governador Silval Barbosa (PMDB) afirma que irá confessar os crimes que cometeu durante a sua gestão e negou ter firmado acordo de delação premiada com a Justiça. Preso há quase dois anos por acusação de liderar um esquema de desvio de dinheiro dos cofres públicos, Silval diz ter refletido muito nesse período em que está na prisão.

Parte da propina recebida pela quadrilha por meio de fraudes na concessão de incentivos fiscais a empresas privadas seria usada para quitar dívidas de campanha, segundo o Ministério Público Estadual (MPE).

“Após muito refletir e me orientar com minha família, resolvi adotar, a partir deste momento, postura processual diversa. Assumirei minhas responsabilidades perante o Poder Judiciário, confessando fatos pontuais naqueles processos em que eu realmente tenha praticado ilícitos penais”, declara o ex-governador.

Por outro lado, diz que irá se defender das “acusações injustas” contra ele. Afirma que irá responder aos questionamentos nas ações penais.

“Tenho a consciência de que sempre colaborei com as investigações e processos, já que ninguém, absolutamente ninguém, pode dizer que pratiquei qualquer conduta de obstrução. Agora, com essa nova postura, passarei a colaborar com a verdade, exercendo, na maior amplitude, os direitos processuais que me são facultados pela Constituição da República”, diz, em trecho da carta.

No documento, o ex-governador nega ter procurado o Ministério Público Estadual (MPE) com o intuito de fechar acordo de delação premiada e que também não recebeu nenhuma proposta de acordo em troca de benefício.

Sem advogado
Todos os advogados que defendem o ex-governador nos processos em que ele é réu anunciaram que vão deixar os casos depois que ele divulgou a carta anunciando a “mudança de postura”. Segundo os cinco advogados dele, a atitude de Silval contraria o trabalho exercido por eles durante todo o processo.

Se continuarem a defendê-lo, teriam que mudar toda a versão já apresentada à Justiça, segundo o advogado Valber Melo, que assinou a nota junto com o Ulisses Rabaneda, Francisco Faiad, Artur Osti e Renan Serra.

“Informamos que foi protocolada nos autos da mencionada operação renúncia ao mandato outorgado por ele nas respectivas ações penais, com a devida e prévia aquiescência do constituinte”, dizem os advogados, em nota.

Ex-governador de MT está preso no Centro de Custódia de Cuiabá desde setembro de 2015 (Foto: Lislaine dos Anjos/ G1)

Líder do esquema
Na decisão que determinou a prisão do ex-governador, a juíza Selma Rosane dos Santos Arruda, da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, diz ter mandado prendê-lo, porque ele poderia atrabalhar o trabalho de produção de provas e que possui alto “alto grau de periculosidade”. Em depoimento à Justiça, o ex-secretário de Administração do estado, César Zílio, que também participou do esquema e firmou acordo de delação, disse que Silval ficava com 70% do valor das propinas arrecadadas pela organização, entre 2011 e 2014.

Ela apontou o ex-secretários de estado, Marcel de Cursi e Pedro Nadaf, que também foram presos durante a primeira fase da Operação Sodoma, da Delegacia Fazendária, ajudavam Silval na concretização dos crimes. “No cargo de governador do estado, além de deter autoridades sobre todos os demais, [Silvar Barbosa] era o único que tinha o poder legal de conceder, mediante decreto legislativo, os incentivos fiscais referindos na lei”, disse à época.

Nadaf, que comandou a Secretaria de Comércio, Minas e Energia e a Casa Civil na gestão Silval Barbosa, foi solto no ano passado após colaborar com as investigações e Marcel de Cursi, ex-secretário de Fazenda, ainda está preso. Assim como Silval, Cursi está no Centro de Custódia de Cuiabá.

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